Por Luiz Henrique de Oliveira e Djalma Malaquias
Suspeito confessou o crime e na delegacia mostrou arrependimento (Foto: Djalma Malaquias – Banda B)
Detalhes de um assassinato chocante. Possessivo durante todo o relacionamento,
Enio Ivan Bertoncello fez de tudo para se livrar do crime e se
vitimizar após a morte da ex-mulher Mahara D’avila Scremin, de 23 anos.
Ainda assim, na delegacia, alegou arrependimento. Durante o velório, na
frente dos familiares dela, demonstrou emoção e beijou o corpo da vítima
no caixão. “Comportamento típico de alguém com transtornos, o que ficou
evidenciado pelos aspectos do relacionamento entre autor e vítima”,
disse à Banda B, em entrevista na manhã desta
terça-feira (6), o delegado Cássio Conceição, da Divisão de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela prisão de Enio.
Mahara foi morta com golpes de faca (Foto: Reprodução Facebook)
Durante a coletiva, o delegado falou sobre a possessividade de Ênio.
“Os dois tiveram encontros esporádicos após a separação, porque ele
ficava em cima dela, por conta de uma possessividade muito grande. Ele
chegava a acompanha-lá até a faculdade por ciúmes. A Maraha estava
tentando se desvincular deste relacionamento, mas ele continuava
insistindo”, descreveu.
Ainda segundo o delegado, não resta dúvidas de que foi um crime
premeditado. “Ele nos relatou onde comprou a luva após ter visto ela com
outro e depois se preocupou em jogar o objeto no Parque Náutico.
Encontramos a luva, mas a faca ainda não. Vai responder por feminicídio,
com pena mínima de doze anos e máxima de 30”, explicou.
Por fim, o delegado disse que, em depoimento, Ênio tentou
descaracterizar o caráter de Mahara. “Ele deu um depoimento desta forma
para tentar amenizar o crime”, concluiu.
“Agi sobre forte emoção”
Na delegacia, Ênio conversou com a imprensa e disse que agiu sobre
forte emoção. “Agi sobre forte emoção e peço desculpa a família dela e a
minha. Eu amava ela, mas não aguentei a cena de ter visto ela com
outro. Nunca tinha ameaçado ela e a gente se amava”, insistiu em dizer.
Ênio também disse que sente falta de Mahara. “Eu fui no enterro
porque sinto falta dela. Eu amava ela e ela me amava. É isso o que eu
tenho a falar”, concluiu.
O depoimento
Preso pela morte da ex-mulher Mahara D’avila Scremin, de 23 anos,
Enio Ivan Bertoncello prestou depoimento à Divisão de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP) ainda neste domingo (5) e contou o que teria o
levado a praticar o crime. Durante o interrogatório, ele afirmou que
tinha voltado a se encontrar com a vítima e que o casal estava mantendo
um ‘relacionamento sem compromisso’, mas que no dia flagrou Mahara com
outro homem, na casa dela, no bairro Boqueirão, em Curitiba.
No depoimento, segundo apurou a reportagem da Banda B, Enio contou
que o casal chegou a ir até um shopping de São José dos Pinhais uma
semana antes. Eles jantaram juntos, assistiram a um filme no cinema e
Mahara demonstrou vontade de ler um livro. No dia do assassinato, Enio
teria comprado esse livro para a vítima e levado até a casa dela, foi
quando flagrou o ato sexual dela com outro homem.
Ele afirma que ficou muito irritado, mas que decidiu ir para casa por
volta das 23 horas, momento em que comprou luvas e gases em uma
farmácia próxima. Já em casa, ele tentou se comunicar com a vítima via
aplicativo WhatsApp e, devido a falta de resposta aos questionamentos de
traição, decidiu tirar satisfação. Ele levou uma faca de casa e atingiu
o pescoço dela após uma declaração mútua de amor. Antes disso, ele
chegou a agredir, o que deixou a vítima desacordada.
Após o crime, contou Enio no depoimento, ele limpou a faca utilizada
para o crime e, com uma mochila dela, fugiu com o tablet e o smartphone
para simular um latrocínio. Ele afirmou ainda que pediu “perdão” para o
corpo.
Ainda no final da madrugada, Enio afirma, decidiu abandonar as
evidências do crime. Nesta segunda-feira, confirmou a DHPP, as luvas
utilizadas para o crime foram localizadas.
Enio Bertoncello, de 32 anos, foi detido em casa, na esquina das ruas
Bartolomeu Lourenço de Gusmão e Antônio Schiebel, neste domingo (4).
O crime
A estudante de Direito Mahara D’avila Scremin foi encontrada morta
dentro de casa na noite de quarta-feira (31). A universitária estava com
dois cortes da faca no pescoço e a casa dela foi revirada. Ela morava
sozinha em casa e foi encontrada por uma prima. Dentro da casa havia
copos usados, pratos e talheres espalhados, que foram utilizados para a
confirmação das digitais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário