Idosa é libertada após sequestro (Foto: Reprodução/TV Globo)
Foi de medo e profunda apreensão a madrugada de uma família do bairro
Vila Rio de Janeiro, em Guarulhos, na Grande São Paulo Entre as 20
horas de segunda-feira, 28, e quase 4 horas do dia seguinte, a avó da
família, de 68 anos, teve uma faca em seu pescoço disposta pelo próprio
neto, um rapaz de 28 anos.
Entre os familiares, a maior preocupação era com a vida do rapaz, que
é portador de doença mental. “Ele dizia que não aguentava mais viver”,
relata uma das tias do rapaz, a auxiliar de enfermagem Sandra Francisco,
de 43 anos. “Ele não faria nada com a minha mãe, não teve briga, nem
nada. O nosso maior medo era que atirassem nele”, o que não ocorreu.
Segundo a tia, a idosa dormiu durante grande parte da manhã desta
terça-feira, devido ao desgaste da situação. “O coitadinho não tem
culpa”, ressalta Sandra. Outra tia do garoto, a manicure Roseli
Francisco, de 45 anos, declarou diversas vezes à reportagem que o rapaz
“não cometeu crime” e que a maior preocupação da família é conseguir
tratamento adequado para ele, que esteve internado durante todo o mês de
junho.
A idosa mora há cerca de três anos no local em que foi feita de
refém, um imóvel alugado em que vivia juntamente com o marido, uma das
três filhas e uma neta. Já o rapaz morava a poucas quadras dali, tendo
ido a pé até a casa da avó.
Segundo a família, o rapaz apontou a faca para a idosa assim que
chegou no portão de entrada. Ao entrar no imóvel, se trancou com a avó,
enquanto pedia para que sua tia e prima chamassem a polícia. Nesse
momento, Sandra obedeceu ao pedido, fazendo o telefonema e, depois,
junto da filha, saiu da casa, ficando em frente durante quase toda a
madrugada.
Depois de negociações com o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate),
da Polícia Militar, o rapaz foi atingido por duas balas de borracha, uma
no peito e outra nas costas. De lá, foi encaminhado para atendimento na
UPA Jardim Paulista, em Guarulhos, e, levado para o Hospital Municipal
de Guarulhos, onde permanecia até o início da tarde desta terça-feira
para avaliação psiquiátrica.
Histórico
“Minha irmã está nesta vida há quase 10 anos, sempre atrás de
internação. Espero que essa situação ajude ele a conseguir tratamento.
Infelizmente, teve de chegar nisso para fazerem alguma coisa”, diz
Sandra. Segundo ela, médicos não chegaram a um diagnóstico conclusivo
sobre a situação do rapaz, que já havia cometido quatro tentativas de
homicídio.
A idosa havia retornado para casa quatro dias antes do incidente,
após ter acompanhado o velório e o sepultamento da própria mãe, que
tinha 87 anos e vivia no Paraná. “Ela cuidou da minha vó, estava muito
abalada ainda”, relata Sandra.
De acordo com a auxiliar de enfermagem, o rapaz apresentava sinais de
doença mental desde os 19 anos, período em que chegou a cursar
Jornalismo em São Paulo. “Ele largou de um dia para o outro, depois
disso, a situação começou a piorar”, comenta.
Entre a família, são frequentes os elogios de que o rapaz era “muito
inteligente” e “muito bonzinho”. “Ele era uma criança mesmo, tinha
mentalidade de menino. Se falasse uma coisa para ele, ele ficava
ansioso, não conseguia dormir”, comenta uma das tias.
Relatos. Vizinha da idosa, a aposentada Rosa Amélia, de 62 anos,
disse ter acompanhado tudo de sua janela. “Como avó, só consegui
descansar depois que vi ele saindo. Estava calmo, com a cabeça baixa. A
avó gritava muito”, relata.
“Foi muito triste. Eu como avó, só pensava que tinham que tirar ele
de qualquer maneira, sem machucar ninguém”, comenta Rosa. Segundo ela, o
marido da idosa estava “em choque”. “Não saía da frente da casa, ficava
parado, em pé o tempo inteiro”, diz.
Moradora do bairro desde 1977, ela comenta que a região tem uma
rotina tranquila, com exceção desta semana, em que, na madrugada de
domingo para segunda-feira, ocorreu um acidente de trânsito grave, entre
uma motocicleta e um carro na mesma esquina.
Já o mecânico Ilton Francisco dos Santos, de 47 anos, comenta que
sempre avistava a idosa passar pela rua, andando devagar com uma das
filhas. Ele relata ter assistido tudo da própria janela e também pela
televisão. “Só ouvi três gritos muito altos, de quando ela saiu. Estava
apavorada.”
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