Redação com Estadão e Portal Extra
Incêndio deixou pelo menos 58 mortos
A polícia de Londres anunciou neste sábado que 58 pessoas devem ter
morrido no incêndio no prédio residencial Grenfell Tower, na
quarta-feira. O número inclui as 30 mortes confirmadas anteriormente. A
revolta pública está aumentando à medida que residentes e vizinhos
buscam respostas sobre como o incêndio se espalhou tão rapidamente e
aprisionou muitos dos 600 moradores do prédio. De acordo com a mídia
britânica, a empresa responsável por uma reforma concluída no ano
passado instalou um painel externo mais barato e menos resistente ao
fogo na torre de 24 andares.
O comandante da polícia, Stuart Cundy, disse que o número de
possíveis mortos é baseado em relatos do público e pode aumentar Ele
disse que levará semanas para retirar e identificar os corpos do prédio.
Segundo Cundy, poderia haver mais pessoas no edifício, o que aumentaria
o número final de mortes. Ele pediu que possíveis sobreviventes entrem
em contato com a polícia imediatamente.
A primeira-ministra britânica, Theresa May, recebeu neste sábado em
sua residência oficial, em Downing Street, um pequeno grupo de
sobreviventes do incêndio. O encontro não deve atenuar as críticas de
que May demorou para falar com as vítimas, apesar de a primeira-ministra
ter anunciado um fundo de emergência de US$ 6,4 milhões para ajudar as
famílias desalojadas.
A identificação das vítimas está bastante difícil, o que
especialistas atribuem ao calor extremo do fogo. Autoridades de saúde
britânicas disseram que 19 sobreviventes ainda estavam sendo tratados em
hospitais de Londres, e 10 deles continuavam em estado crítico.
O casal italiano não conseguiu sair do apartamento no Grenfell onde moravam Foto: Facebook / Reprodução
Pedido de socorro
Quando perceberam que as chamas haviam queimado qualquer
possibilidade de fugir com vida do incêndio do Grenfell Tower, em
Londres, Gloria Trevisan e Marco Gottardi tiveram uma única reação:
telefonar para os pais.
“Sinto muito nunca mais poder te abraçar”, teria dito Gloria, como contou seu pai Loris ao jornal italiano “La Repubblica”.
O casal italiano estava no 23º andar do prédio, quando viram as
chamas que mataram 30 pessoas e feriram dezenas se alastrar. Com poucas
chances de escapar, ambos arquitetos e com 27 anos, fizeram ligações
desesperadas.
“Eu tinha minha vida inteira pela frente. Não é justo. Eu não quero
morrer. Eu queria te ajudar, te agradecer por tudo que fez por mim. Eu
estou indo para o céu, vou te ajudar de lá” — essas teriam sido as
últimas palavras de Gloria, como contou seu pai.
A filha teria telefonado na casa deles em Pádua, na Itália, mais cedo
para dizer que havia um incêndio no quarto andar. Ela teria assegurado a
ele que os bombeiros estavam conseguindo extinguir o fogo. Depois disso
vieram os telefonemas derradeiros.
Quando eles viram o fogo pela televisão, o pai de Gloria disse ter
ouvido da filha que “eles queriam descer, mas viam chamas subindo as
escadas e a fumaça era cada vez mais intensa”.
A linha telefônica caiu por volta de três horas da manhã. Fizeram centenas de ligações à filha, mas não conseguiam mais contato.
Marco Gottardi também telefonou para sua família duas vezes. Primeiro
tentando tranquilizar, e depois perdendo as esperanças. O jovem teria
dito que o apartamento estava “coberto de fumaça” e a situação era
grave, como contou seu pai, Giannino Gottardi, ao jornal “Il Mattino di
Padova”.
— Na primeira chamada, Marco nos disse para não nos preocuparmos, que
tudo estava sob controle. Ele estava tentando minimizar o que estava
acontecendo, provavelmente para não nos preocupar — disse — Mas na
segunda ligação, e não consigo tirar isso da minha cabeça, ele disse a
fumaça estava tomando tudo e tinha virado uma emergência. Nós ficamos no
telefone até o último momento.
Inquérito
A rainha Elizabeth II pediu um minuto de silêncio para as vítimas do
incêndio, no início de uma procissão para marcar seu aniversário
oficial. Ela disse que a Grã-Bretanha continua “firme diante da
adversidade”, após o terrível incêndio e os recentes ataques terroristas
em Londres e Manchester. A rainha e seu marido, o príncipe Philip,
permaneceram em silêncio nos degraus do Palácio de Buckingham antes do
início da cerimônia que todos os anos marca o aniversário oficial da
rainha.
O governo prometeu um inquérito completo, mas isso não foi suficiente
para acalmar o público, frustrado com a falta de informações sobre como
o fogo se espalhou tão rapidamente. Especialistas em engenharia e
segurança contra incêndios acreditam que o revestimento exterior do
prédio pode ter alimentado rapidamente o fogo. Autoridades pediram uma
avaliação de outros edifícios que passaram por reformas do mesmo tipo.
Alguns moradores de Grenfell tinham alertado há meses sobre problemas
de segurança no edifício. Eles dizem que suas queixas foram ignoradas e
que isso talvez esteja relacionado ao fato de o prédio ter moradores
pobres e ficar em um bairro extremamente rico.
Fonte: Associated Press.
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