A casa do artista Erbo Stenzel, que há quase duas décadas está dentro
do Parque São Lourenço, em Curitiba, pegou fogo na madrugada desta
quarta-feira (14). De madeira, a casa foi consumida pelas chamas e
apenas a parte da frente ficou com as paredes intactas. Não há
informações sobre qual a origem do fogo.
A Guarda Municipal (GM) e o Corpo de Bombeiros (CB) foram acionados
durante a madrugada, mas os bombeiros voltaram ao local pela manhã após
informações de novos focos de incêndio. “Não tem indícios se é criminoso
ou não, solicitamos perícia, mas não sabemos o que aconteceu. Só ficou a
fachada e o restante foi consumido pelo fogo”, disse o inspetor Odgar à
Banda B.
Segundo ele, havia poucas coisas dentro da casa, como pertences ou
partes de portas e madeiras, mas sem objetos para apreciação do público,
já que a casa está fechada desde que foi levada ao parque. A origem
dela é no bairro São Francisco, na Travessa Francisco Lima e Silva, e o
objetivo era transformá-la em museu. “Foi uma perda histórica
irreparável”, finalizou o inspetor. Uma perícia será realizada e poderá
apontar as causas do incêndio.
Quem foi
Erbo Stenzel (1911 – 1980) foi escultor e professor paranaense,
descendente de alemães e austríacos, nascido em Paranaguá. Quando
criança, estudou na Escola Alemã, que situava-se onde hoje é a Praça 19
de Dezembro. Foi aluno de Lange de Morretes e logo após estudou na
Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde formou-se com
medalha de ouro. Lá o artista teve inspiração para uma de suas maiores
obras, a Água para o Morro, uma escultura expressiva do sofrimento de
uma afrobrasileira, com um balde d’água acima da cabeça. Ao retornar
para Curitiba, em 1949, a pedido do governador da época, Moisés Lupion
(1908 – 1991), tornou-se professor da Escola de Música e Belas Artes do
Paraná, lecionando Anatomia e Fisiologia artísticas.
Em 1953, o governador Bento Munhoz da Rocha Neto (1905 – 1973) queria
construir um monumento, devido ao centenário da emancipação do estado
do Paraná. Para isso, confiou o trabalho aos artistas Erbo Stenzel e
Humberto Cozzo. Com granito – a pedra de maior dureza para a escultura –
provindo de Petrópolis, Stenzel esculpiu o hoje conhecido Homem Nu,
representando o Paraná emancipado, vestido de todas as culturas, mas
ainda não vestido de sua própria identidade – afirmam alguns críticos. A
outra peça de granito de Stenzel, a Mulher Nua, deveria representar a
Justiça, como a deusa Ártemis, sem armas, sem balanças, sem vendas. Mas
por conta do conservadorismo, as peças foram refutadas, e de um lado
para outro foram jogadas, até acabarem na Praça 19 de Dezembro, que hoje
é conhecida como a “Praça do Homem Nu”.
Stenzel, além de ótimo escultor, era um renomado jogador de xadrez,
vencendo vários prêmios em disputas. Também poliglota, falava alemão e
estudava grego, árabe, inglês, espanhol e esperanto.
Fonte: A Arte em Seu Estado – História da Arte Paranaense I. Eliana Borges e Soleni T.B.Fressato.

Um comentário:
Era poliglota. Descubra o esperanto.
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