No “open house” do Alvorada oferecido pelo presidente Michel Temer
aos ministros e parlamentares da base aliada, Temer reiterou, de forma
enérgica, que “vai ficar até o fim” e que “não vai ceder às pressões”.
Em sua fala, ele voltou a reconhecer que cometeu um equívoco sem os
devidos rituais de segurança ao receber o empresário Joesley Batista.
“Mas este é o meu estilo”, lembrou Temer, acrescentando que precisa
mudar. Temer disse ser comum receber muitos dos parlamentares, depois
das 22h. “Meu regime de trabalho é meia noite, uma hora, vocês sabem que
eu recebo, e falo com todo mundo”, observou.
“O encontro foi uma grande pajelança com muita representatividade”,
comentou um dos presentes ao dizer que o presidente estava “muito
firme”. Temer também teria avisado que continuará à disposição para
receber e conversar com quem quiser falar com ele.
Pronunciamento
Em pronunciamento na tarde deste sábado (20), o presidente da República, Michel Temer, disse que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF)
para que o inquérito aberto contra ele seja suspenso até que seja
verificada a autenticidade da gravação feita pelo empresário Joesley
Batista, dono da JBS, de uma conversa com o presidente.
“Essa gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos
nitidamente subterrâneos. Incluída no inquérito sem a devida
averiguação, levou muitas pessoas ao engano, induzido e trouxe grave
crise ao Brasil”, disse o presidente.
Uma perícia contratada pelo jornal Folha de S. Paulo
concluiu que a gravação da conversa sofreu mais de 50 edições. Temer
classificou a gravação como fraudulenta e manipulada e lembrou que o
grupo JBS comprou US$ 1 bilhão antes da divulgação da conversa e faturou
com a operação financeira.
A abertura do inquérito, por corrupção passiva, organização criminosa
e obstrução da Justiça, foi autorizada pelo ministro do STF Edson
Fachin na quinta-feira (18), a pedido da Procuradoria-Geral da República
(PGR).
Em pronunciamento anterior, ainda na quinta-feira (18), Temer disse
que nunca autorizou ninguém a usar seu nome indevidamente e que
demonstraria no STF não ter nenhum envolvimento com os fatos.
Segundo o Ministério Público Federal, em encontro com Joesley
Batista, Temer deu aval para que ele continuasse a pagar uma espécie de
mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha e o doleiro Lúcio Funaro, ambos
presos, para que continuassem em silêncio. O áudio da conversa, gravada
por Joesley, foi disponibilizado na última quinta-feira (18). Após a
divulgação, o presidente Michel Temer e assessores avaliaram que o
conteúdo da conversa não incrimina o presidente.

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