(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu autorização ao ministro Edson Fachin,
do Supremo Tribunal Federal (STF), para tomar o quanto antes o
depoimento do presidente da República, Michel Temer (PMDB), o senador
afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures
(PMDB-PR) no curso inquérito aberto contra os três a partir da delação
da JBS. Em relação ao depoimento de Temer, Janot disse a Fachin que a
oitiva deve acontecer “nos moldes a serem definidos por Vossa Excelência
Fachin”.
Janot afirma que, por haver investigados presos – Andrea Neves e
Frederico Pacheco de Medeiros, irmã e prima de Aécio, e Mendherson Souza
Lima -, o prazo para a conclusão da investigação por parte da Polícia
Federal e da própria apresentação da denúncia pela Procuradoria-Geral da
República (PGR) é mais curto.
“Conjugando o regime preconizado pelo Código de Processo Penal e pelo
Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal tem o
prazo de 10 dias, contados da realização da prisão, para finalizar as
investigações e remeter o inquérito para o Ministério Público Federal,
que, por sua vez, possui o prazo de 5 dias para oferecer denúncia ou
requerer o arquivamento”, disse Janot.
“Há a necessidade de ultimação de inquérito no prazo acima apontado
em virtude de haver investigado preso, devendo ser efetivadas
diligências a fim de angariar elementos a formação da opinio delicti”,
disse Janot. Além de ouvir os investigados, Janot falou que também é
necessário analisar o material apreendido na Operação Patmos de busca e
apreensão, no dia 18.
Outra pendência no inquérito é a conclusão da perícia dos áudios das
conversas gravadas pelo delator Joesley Batista, do Grupo J&F. Janot
comenta que já concordou com a realização da análise da validade dos
áudios.
Temer, Aécio e Rocha Loures são investigados por corrupção passiva,
constituição e participação em organização criminosa e obstrução à
investigação de organização criminosa.
Confissão
Janot também afirmou que Temer fez uma “confissão espontânea” durante
os pronunciamentos públicos realizados após o escândalo vir à tona, ao
admitir o encontro, à noite, com Joesley no Palácio do Jaburu, o diálogo
sobre possível corrupção de juízes, diálogo sobre a relação de Joesley
com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, e o fato de Temer ter
indicado o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures para tratar de temas
com o empresário.
“Ocorre que, em que pese Michel Temer alegar ilicitude da gravação e
questionar a integridade técnica desta, cumpre ressaltar que, em
pronunciamentos recentes, o Presidente da República não negou o encontro
nem diálogo noturno e secreto com o colaborador JOESLEY BATISTA,
tampouco nega que o colaborador tenha lhe confessado fatos criminosos
graves, o que demandaria, no mínimo, comunicação de tais crimes as
autoridades competentes”, afirmou Janot.
Janot interpretou que, nos pronunciamentos de Temer, houve “confissão
no sentido de que os interlocutores dialogaram sobre possível corrupção
de agentes públicos”.
O procurador-geral cita um trecho de discurso de Temer: “Devo até
registrar, devo até registrar, que é interessante quando os senhores
examinam o seu depoimento e o áudio, os senhores verificam que a conexão
de uma sentença a outra, não a conexão de quem diz: olhe eu estou
comprando o silencio de um ex-deputado e estou dando tanto a ele. Não! A
conexão é com a frase: ‘eu me dou muito bem com o ex-deputado, mantenho
uma boa relação’, e eu disse: ‘mantenha isso, viu?’ Enfatizou muito o
‘viu’.”
Em seguida, Janot retoma e diz que: “de fato, o que consta desse
trecho do discurso e o reconhecimento por parte do investigado MICHEL
TEMER da existência do diálogo com JOESLEY e da boa relação entre
JOESLEY com EDUARDO CUNHA”.
“A interpretação do diálogo e do que significa esta anuência por
parte do investigado MICHEL TEMER será avaliada no momento da formação
da opinio delicti”, diz Janot.
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